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15.1.10

Biografia

Sergio Bernardes
Cineasta, Rio de Janeiro (1944/2007)


Cineasta Sergio Bernardes


O cineasta Sergio Bernardes lançou seu primeiro longa metragem, Desesperato (1968), aos 24 anos de idade. Premiado por unanimidade do juri como melhor filme no Festival de Belo Horizonte, este filme foi exibido somente ali e nunca lançado em circuito comercial, já que seu certificado de exibição foi cassado pela ditadura militar.

Após anos de exílio na França, ao voltar ao Brasil, o cineasta partiu em diversas expedições a amazônia e ao interior do país junto a indienistas, cientistas, pesquisadores e artistas visuais. Dirigiu vários documentários em vídeo destas expedições, tendo o vídeo Panthera Onca (1990), sobre a matança das onças pintadas no pantanal, ganho prêmios nacionais e internacionais.

No ano de 1995 lança projeto que prevê a filmagem dos pontos notáveis de nosso país, de norte a sul, em película super 16 mm. Com o apoio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, parte então para esta que seria sua maior expedição, percorrendo todo o Brasil filmando, e concluindo o projeto no ano 2000.

Elabora então o roteiro do documentário TAMBORO e mais uma vez expediciona em busca de imagens e depoimentos que retratem, desta vez, a realidade mais dura do país. Junto ao movimento dos sem-terra, garimpeiros, repentistas do sertão nordestino, abordando questões referentes à destruição da floresta amazônica e a violência nos grandes centros urbanos, conversando com pensadores e anônimos, filma e edita Tamboro.



Cineasta Sergio Bernardes


CRONOLOGIA


FORMAÇÃO

1962 Curso de Cinema no Institute des Hautes Études Cinematographiques de Paris.
1965 Curso de Coreografia e Teatro com Maurice Béjart em Paris.
1965 Curso de Composição e Trilha Sonora com Pierre Henry em Munique.
1978 Curso de Composição com Walter Smetak.


Cineasta Sergio Bernardes


FILMES

Longa Metragem

TAMBORO, 2009.
Documentário, super 16 mm, cor, 90 minutos.
Prêmio Especial do Juri - Festival do Rio 2009
Prêmio Melhor Montagem - Festival do Rio 2009
Prêmio Melhor Filme Voto popular - Cine Fest Brasil Buenos Aires


DESESPERATO, 1968.
Ficção, 35 mm, P&B, 81 minutos.
Prêmio do Festival de Belo Horizonte por unanimidade do júri
Hors concours no Festival de Brasília.

MADREPÉROLA, 1978.
Ficção, 35mm, Cor, permanece inacabado.
Em fase de restauro.


Média Metragem

MISSÃO RIO, 1982.
16mm, cor, 42 minutos.
Documentário sobre o plano político e administrativo do Município do Rio de Janeiro elaborado por seu pai, o arquiteto Sérgio Bernardes.

VIA BRASIL, 2000.
Beta digital, cor, 92 minutos.
Documentário institucional sobre o Brasil que recebeu o apoio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

LE MASQUE, 1976.
16mm, cor, 25 min.
Documentário sobre Terapia Alternativa de Grupo em Paris.

7/7/77, 1977.
Ficção, 35mm, cor, 25 minutos.


Curta Metragem

VENHA DOCE MORTE, 1968.
16mm, P&B, 9 minutos.
Prêmio do Festival de Belo Horizonte por unanimidade do júri.

BAUDELAIRE, 1974.
35mm, cor.
Direção de François Weyergans, montagem de Sergio Bernardes.
Prêmio Leão de Ouro no Festival de Veneza, 1975.


Cineasta Sergio Bernardes


VIDEOS

COLARES, 1987.
Betacam, 20 minutos.
Documentário sobre a vida do artista plástico Raimundo Colares.

CAVALOS SELVAGENS, 1988.
Betacam, 30 minutos.
Documentário sobre os cavalos selvagens que vivem nas pradarias de Roraima.

ENCONTRO DOS POVOS DA FLORESTA, 1989.
Betacam, 25 minutos.
Registro sobre o encontro de Altamira.

PORANGAÇÚ, 1989.
Super VHS, 25 minutos.
Documentário sobre questões dos índios Kaiapós.

PEIXE-BOI, 1990.
U-matic, 24 minutos.
Documentário filmado no rio Purús e no Rio Negro.

OS GUARDIÕES DA FLORESTA, 1990.
Betacam, 52 minutos.
Documentário sobre a Reserva Extrativista do Santo Daime, na Amazônia.
Prêmio de Melhor Vídeo do Festival de Vídeo da Bahia;
Prêmio de Melhor Vídeo e Direção do Festival do Maranhão.

PANTHERA ONCA, 1990.
Betacam, 42 minutos.
Documentário sobre a extinção do maior felino das Américas.
Prêmio de Melhor Vídeo, Melhor Direção, Melhor Trilha Sonora e Melhor Argumento na 8a Mostra Internacional do Cinema e Vídeo em Salvador, BA:
Prêmio de Melhor Vídeo na ECO-92;
Prêmio Sol de Ouro (Melhor Vídeo, Melhor Direção) e Prêmio Panda (Melhor Plano) no RIO-CINE;
Selecionado como o Melhor Vídeo do Brasil em Lima, Peru, na mostra os 14 Melhores Vídeos da América;
Prêmio de Melhor Vídeo do Festival de Brasília em 1992.

CASA DA FLORESTA, 1992.
Betacam, 24 minutos.
Documentário sobre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e as formas de conhecimento da floresta.
Prêmio de Melhor Vídeo Científico, no Festival de Brasília.

PROJECT NEW MAN, 1993.
Betacam, 20 minutos.
Documentário sobre o cerrado.

JURAMIDAM, 1993.
Betacam, 12 minutos.
Sobre a experiência mística do Santo Daime, este vídeo foi exibido numa exposição sobre Amazônia no Museu da Ciência de Barcelona, Espanha.

INPA 40 ANOS, 1995.
Betacam, 60 minutos.
Documentário sobre os 40 anos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

TALISMÃ, 1995.
Betacam, 32 minutos.
Documentário sobre o Parque Nacional do Jaú, na Amazônia, para a WWF (World Wildlife Fund for Nature).

UM OUTRO BRASIL, 1996.
Betacam, 22 minutos.
Documentário sobre os três principais ecossistemas brasileiros (cerrado, pantanal e amazônia) para ser exibido na abertura de congresso sobre Ecoturismo em Bonn, Alemanha. Este filme, encomendado pela EMBRATUR, passou a representar o Brasil junto às embaixadas brasileiras no exterior.

NORDESTE, 1997.
Betacam digital, 20 minutos.
Documentário sobre o nordeste brasileiro, realizado após uma expedição de 3 meses por todos os estados desta região.

CAUÊ PORÃ, 1998.
Super 16mm, 20 minutos.
Filme sobre a Amazônia brasileira e sua biodiversidade.

UNKNOWN AMAZON, 2001.
Beta digital, 32 minutos.
Filme sobre a Amazônia realizado para a abertura da exposição no British Museum, em Londres.


Cineasta Sergio Bernardes


CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS

Campanha do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 1995.
Realiza a campanha composta por 03 chamadas de 30 segundos, sobre Meio Ambiente, para a comemoração dos 40 anos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, veiculada em Rede Nacional.

Campanha da Cidade de Salvador, 1996.
Realiza em Salvador a Campanha da Prefeitura da cidade, composta por um filme de 30 segundos e um de 1 minuto.
Prêmio de Melhor Filme Publicitário Institucional no Festival da Bahia.

Sights and Sounds, CNN, 1997.
Realiza a primeira Campanha Internacional do Brasil, realizada pela EMBRATUR/McCann-Erickson e veiculada na rede de televisão CNN. Composta por 03 filmes de 30 segundos e 03 filmes de 01 minuto, esta campanha foi premiada com o ANDY AWARDS nos EUA como Melhor Campanha Institucional.

Rio Incomparável, 1999.
Realiza para a prefeitura do Rio de Janeiro o filme publicitário Rio Incomparável.

Campanha do Estado do Maranhão, 2001.
Realiza para o Governo do Estado e a SETUR, a primeira Campanha em rede nacional do estado do Maranhão, composta por 3 filmes de 30 segundos e 3 filmes de 01 minuto.

Campanha Internacional do Brasil, 2002.
Realiza para a EMBRATUR/PRIME-DBBS a segunda Campanha Internacional do Brasil, composta por 3 filmes de 30 segundos e 1 filme de 25 minutos (DVD).

Campanha Infância & Turismo Sustentável, 2004.
Realiza para a EMBRATUR/PERFIL campanha sobre turismo sexual.


VIDEOCLIPE

No ano de 2003 o cineasta gravou o videoclipe da música Me espere do grupo Afroreggae. O vídeo foi gravado durante um show ao vivo da banda no Complexo da Maré


MOSTRA E EXPOSIÇÕES

Mostra Video Autor - Retrospectiva, CCBB Rio, 2000.
O Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro - realiza uma Mostra Retrospectiva de seu trabalho.

Unknown Amazon, The British Museum, 2001.
Sergio Bernardes produz o material audio-visual para a exposição Unknown Amazon, realizada pela Brasil Connects no British Museum, em Londres.

Nósenãonós, CCBB Rio, 2003.
Realiza a vídeo instalação Nósenãonós: 3 telas no Centro Cultural Banco do Brasil, de 10 de fevereiro a 06 de abril de 2003.

Amazônia, Fundação Jardim Botãnico, 2006.
Vídeo instalação que retrata a amazônia, montada no Jardim Botânico em ocasião do lançamento do projeto Museu da Ciência.

Mata Atlântica, Espaço Cultural Tom Jobim, 2007.
Vídeo instalação montada em homenagem ao compositor Tom Jobim.

25.9.09

Sergio Bernardes por seus amigos

Com a seleção para a Premiére Brasil no Festival do Rio de 2009, tenho recebido diversos depoimentos de amigos homenageando a obra de Sergio:


Jom Tob Azulay
Cineasta

Acho que uma nota boa e merecida seria sobre o filme do Serginho Bernardes, morto ano retrasado, uma das pessoas mais brilhantes e, eu diria, menos contaminadas da nossa geração, que teve a desdita (ou quem sabe o privilégio, às vezes fico na dúvida...) de se criar sob a Redentora. Pois finalmente um filme dele está tendo a oportunidade de receber o reconhecimento que o cinema dele merece e nunca teve. TAMBORO, um documentário épico sobre o Brasil, certamente ao estilo delirante que ele tinha, foi selecionado para o Festival do Rio. O Sarraceni declarou publicamente, em Parati, me disse a Rosa Bernardes, produtora, que “desde Macunaíma que não surge um filme que pense o Brasil como Tamboro”. A Rosa me conta também que “Desesperato”, um dos primeiros filmes dele, interditado pela Censura, nos anos 70, vai ser lançado pela HECO Produções, na Coleção “Cinema Marginal Brasileiro”. Conta a história, que ao levar o filme para a Censura em Brasília, Serginho publicou um artigo chamando de “cafona” a gravata do censor. Ele tinha essa capacidade que eu invejava profundamente: de conseguir pairar acima da merda.”




Andre Luiz de Oliveira
Cineasta

"Um dos mais audaciosos diretores de cinema do país e um dos mais audaciosos do cinema de maneira geral. Autor de inúmeros trabalhos que revolucionaram a concepção, a edição, a forma e o objetivo da obra cinematográfica. Uma de suas características principais é não usar a palavra como essencial, montando a sua obra sobre a imagem, o som, os ruídos e a música original, assim como um cinema que murmura antes da palavra.

Esta sua característica lhe dá uma vantagem inominável que é o de evitar o desgaste do discurso da palavra comum e introduzir a imagem com todo o seu impacto primordial que, somados, valem por centenas de palavras. Esta é sua característica primordial e singularidade. Seu trabalho apóia-se nos dois pilares do cinema: a magem selvagem tal como ela é tomada na primeira vista, e o som.

Um artista revolucionário, apóia e produz com outros artistas revolucionários, fortemente ligados ao cinema experimental brasileiro e à todas as questões de frente da sociedade onde se cria. Entre os seus títulos, destacam-se três longas metragens: Desesperato, Madre Perola e Tamboro, numa difícil e enorme poética que conquistou através de muitos anos de árduo trabalho e dezenas de viagens aos limites máximos do Brasil.

Captador de imagens do Brasil, ímpar entre os seus pares, no qual filmou os mais remotos e inacreditáveis cenários, alguns deles vistos anteriormente nesta dimensão como as cachoeiras do Urariquera no Amazonas, o complexo do Monte Roraima, o Raso da Catarina dos sertões da Bahia, tendo chegado ao limite dos desafios técnicos e vitais nestas filmagens."

A partida prematura de Sergio Bernardes ontem, dia 06 de julho de 2007, paradoxalmente deixa o Brasil mais pobre como resultado da sua ausência física e mais rico com o recebimento do seu legado artístico. Não digo isso de forma generalizada para lamentar a perda de um grande artista. Digo, especificamente, porque considero o filme TAMBORO de Sergio Bernardes o mais belo filme realizado sobre o Brasil e o seu povo.

Um filme fácil de ver e difícil de descrever tamanha a quantidade de imagens de altíssima sensibilidade que nos entram por todos os poros, associada a uma leveza emocional suficientes para ficarmos simplesmente preenchidos de tudo que estamos e que não estamos, assistindo.

Quando falei ao final da seção, com toda a sinceridade o que eu achava do seu filme (graças a Deus tive tempo de falar isso), vi o menino de sempre arregalar os olhos de baixo pra cima na sua habitual timidez e complexa humildade, não saber direito administrar o que ouvia e num gesto condescendente, meio sem graça, esboçou quase uma admoestação: - "...fala baixo, fala baixo!". (07/07/2007)

Fonte





Lula Araújo
Fotógrafo de TAMBORO



O PATRIOTA

- Olha que lindo é o nosso país! Que riqueza exuberante!
Sobrevoando de helicóptero as mais belas paisagens do Brasil, somando mais de 80 horas de vôo usando o NOUSECAM com uma AATON PROD super 16mm, Sérgio Bernardes sempre demonstrou o seu amor pelo país, elevando nossa energia (Kito e Lula) para com a beleza que vislumbrávamos! Preocupado com o desdobramento das ações anti-ecológicas, foi defensor eterno da preservação ambiental.

Passamos por várias situações de risco:

# Helicópteros - na Amazônia fizemos treinamento para abastecer a aeronave, para diminuir o peso, reduzir equipe para vôos rasantes. Em Roraima, acompanhando o serpentear de um rio, quase batemos num cabo de aço aéreo, parando a menos de um metro, foi um susto! No sul, nos Aparados da Serra, lugar lindo, parece uma grande rachadura da terra, uns 30 metros de largura, 50 metros de profundidade e uns 3 kms
de extensão, foi onde pegamos outro cabo aéreo, desta vez pra valer! Freou instantaneamente o aparelho, que começou a cair de cauda, mas o corta cabo (em baixo da hélice tem uma espécie de faca para este fim), graças a Deus nos salvou a tempo, e nosso piloto conseguiu se sair bem, O suspiro do alívio é uma sensação indescritível. Fizemos um pouso de emergencia, para averiguar a avaria,num campo de uma família de lavradores, muito simpáticos. Sérgio aproveitou para fazermos mais uma tomada do filme.

# Madeira de lei - Marabá/PA - o IBAMA fez a maior apreensão de Mogno no rio Xingu, com mais de 2 km de extensão, troncos boiando feito jangadas, todos amarrados com cabos de aço, numa área totalmente desmatada. Parecia um paliteiro, fizemos várias tomadas. Tinha nas margens alguns tapiris (abrigo feito de sapê), para os olheiros, o vento do helicóptero desmanchou quase todos.
- Precisamos de uma escala humana!
Não tinha como entender o tamanho daquilo,sem ter um homem nos troncos! O Próprio Sérgio Bernardes desceu da nave, em cima de uma daquelas jangadas e ficou ali, de braços abertos. Que coragem!!! Fizemos a tomada rapidinho para logo resgatá-lo. Na cidade que ficamos hospedados,sofremos ameaças dos madeireiros, por estarmos juntos com os fiscais do IBAMA. Os fiscais sofrem represálias constantemente.

# Baile Funk na Maré - Sérgio conseguiu contato na comunidade, para filmagem do AFRO REAGEE no complexo do alemão, e com dificuldade conseguiu também autorização para filmar o Baile Funk. O jeito grandalhão dele, ganhava todo mundo com simpatia, onseguia tudo! Sempre usando steadicam, nos deslocavamos com facilidade, em todos os lugares, com a benção de Deus! Flagramos a saída de um arrastão, com homens armados (mascarados), cena forte do filme. Esse deu medo! As aéreas do Rio foram espetaculares! Rasantes ao amanhecer sobre todas as favelas, nos lixões, e claro, as belezas da nossa Cidade Maravilhosa! Momentos tão preciosos de nossas vidas e emocionantes!

Sérgio Bernardes é um ícone da cinematografia brasileira, deixando um registro que sempre será lembrado por nós, pela delicadeza com que tratou a vida, seus amigos e seus familiares. Agradeço a Deus por ter vivido intensamente nos últimos 10 anos, esta amizade.

1.2.07

Tamboro




Trailer do Filme TAMBORO do cineasta Sergio Bernardes